quinta-feira, 20 de novembro de 2014

SESSÃO - SALVE-SE QUEM PUDER (A VIDA) - 1979 (JEAN-LUC GODARD)








                              A - O que é essa música que se ouvia?
                              B - Qual música?
                              A - A música que se ouvia ali.
                              B - Eu não estou vendo de que música você está falando.



                              https://www.youtube.com/watch?v=Rgo37YKY3NE



quinta-feira, 13 de novembro de 2014

BRANCO SOBRE BRANCO




        A câmera não é um olho humano mais perfeito. Se se trata de um olho, é um olho não humano. É um olho-não-humano!
        O que isso quer dizer? Será que quer dizer um olho animal? Não, não quer dizer um olho, hã, animal. Hã, um olho animal é um olho animal, é um olho não humano. Será que podemos dar à ... em função da câmera, à expressão ou à ideia de um olho não humano, um sentido, um sentido real? Não pretendo, eu seria incapaz, de fazer uma história contínua do cinema. Se há alguém que por exemplo ligou a consciência cinema à posição e à invenção de um olho não humano como tal, não é do lado de Pasolini e do cinema moderno que seria preciso procurar. É do lado de Vertov. Então, que haja uma linhagem Vertov/Godard a esse respeito, é sempre possível fazer os entroncamentos que se queria. É evidente que há uma linhagem Vertov/Godard.
        Em que sentido e de que maneira a câmera efetua ou inventa um olho... que deveria chamar-se... De modo algum um olho que rivalize ou com o qual .... Sim, que representaria um aperfeiçoamento. Não se trata de ver o que o homem não chega a ver. Não é isso o Cine-Olho, não é isso. O Cine-Olho é verdadeiramente: a fabricação de um olho não humano. Mas o que é um "olho não olho"?   







Gilles Deleuze - transcrição do curso - Cinéma - Image-Mouvement (aula 6, parte 2)
http://www2.univ-paris8.fr/deleuze/article.php3?id_article=189



sexta-feira, 7 de novembro de 2014

SESSÃO - LIMITE - 1931 (MÁRIO PEIXOTO)






lembro-me ou não?




ou sonhei?




flui como um rio o que sinto




sou já quem nunca serei
na certeza em que me minto



quinta-feira, 6 de novembro de 2014

UM FLUXO



















João Guimarães Rosa - "Cara-de-bronze" in No Urubuquaquá, no Pinhém, Nova Fronteira



sexta-feira, 24 de outubro de 2014

SESSÃO - A VOZ SOLITÁRIA DO HOMEM - 1978 (ALEXANDER SOKUROV)







MONTAGEM ?




        Colocam-se três ângulos do leão, temos um leão que se levanta, por causa dos ângulos, mas não por causa da montagem, pois a montagem não diz nada sobre esse leão, não há nada a não ser o leão. Mas temos a ideia de algo que se levanta, é porque há uma pré-ideia da montagem. No primeiro filme de Nicholas Ray, They live by night[1], com Cathy O’Donnell, do qual eu coloquei regularmente dois ou três planos nas História(s)[2], vemos em um momento quatro planos em sequência sobre Cathy O’Donnell que está ajoelhada e se levanta, eles não estão de fato no eixo, mas estão na sequência, e poderíamos dizer que aí há um verdadeiro início de montagem artística. Ou como algumas vezes em Welles, o que vinha também do fato que ele fazia os filmes em uma terça de um ano quando estava em Marrakesh e depois ele fazia o contra-campo, em uma terça do outro ano quando estava em Zurique. Mas em uma simples conversa, há uma sequência de planos como em Mr. Arkadin, onde é mais visível, onde há uma espécie de ritmo que não é campo – contra-campo, que também não é decupagem, mas há um certo ritmo da conversa de repente, que é ao mesmo tempo um efeito brilhante e como que o traço do que procuravam todos esses cineastas, e que é verdadeiramente a montagem para contar histórias de outra maneira. 





[1] Título brasileiro: Amarga esperança.
[2] Histoire(s) du cinéma


      Jean-Luc Godard, Youssef Ishaghpour - Archéologie du cinéma et mémoire du siècle - dialogue, Farrago