domingo, 29 de maio de 2016

SESSÃO - FITZCARRALDO - 1982 (WERNER HERZOG)









não parece haver, entre os moralistas, um ódio à floresta virgem e aos trópicos? e uma necessidade de desacreditar a todo custo o "homem tropical", seja como doença e degeneração do homem, seja como inferno e automartírio próprio? mas por quê? em favor das "zonas temperadas"? em favor dos homens temperados? dos homens "morais"? dos medíocres?



















       Friedrich Nietzsche - Além do bem e do mal - Companhia das letras



quarta-feira, 30 de março de 2016

SESSÃO - O PÂNTANO - 2001 (LUCRECIA MARTEL)




¿díceme tali, por qué no nos hacemos una escapadita, un viajecito a bolivia, las dos? pero si cada vez ponés la hamaca más cerca de la perra... ¿y qué querés que haga? do objeto-sim resplandecente descerá o índio. no tenemos otra sombra... tu mamá es mujer mi hijo, no entiende de estas cosas, pero te tenés que ir a defender tu patria, vos sos un hombre... adiós felicidad, casi no te conocí. menos mal que nuestra hamaca está en la sombra... que el mundo fue y será una porquería, ya lo sé, en el quinientos seis y en el dos mil también. pero está por romperse. la pinta, la niña y la santa maría. con este calor es imposible. virá que eu vi. pero tal vez llegue el día en qué pueda retenerte. mientras con la esperanza de ese día viviré. la que se fue a bolivia comprar los útiles fue la teresa. siglo veinte, cambalache, problemático y febril, el que no llora no mama y el que no roba es un gil. nos dijeron que en el tanque grande allá se aparece la virgen. vi una mariposa muerta. quando terá sido o óbvio. ay, venga, paloma, venga y cuénteme usted su pena. esa guerra, esa guerra hizo que se nos acaben las ganas de todo... ¿te duele tu pecho papá? estoy cansado mamá... ¡soy loco por tí!



sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

SESSÃO - O PROCESSO - 1962 (ORSON WELLES)





No que diz respeito ao meu estilo, à minha visão de cinema, a montagem não é um aspecto, é o aspecto. Colocar um filme em cena (mise-en-scène) é uma invenção de gente como os críticos: não é uma arte; no máximo uma arte durante um minuto por dia. Este minuto é terrivelmente crucial, mas ela só chega raramente. O único momento no qual se pode exercer algum controle sobre o filme é a montagem. Ora, na sala de montagem, eu trabalho muito lentamente, o que sempre acaba desencadeando a cólera dos produtores, que me tomam os filmes das mãos. Eu não sei porque isto me toma tanto tempo assim: eu poderia trabalhar eternamente na montagem de um filme. 




No que me diz respeito, a fita de celuloide se executa como uma partitura musical, e essa execução é determinada pela montagem.  Um chefe de orquestra interpretará um pedaço de música em rubato, um outro o interpretará de maneira seca e acadêmica, um terceiro será muito romântico, etc. As imagens elas mesmas não são suficientes: elas são muito importantes, mas são só imagens. O essencial é a duração de cada imagem: é toda a eloquência do cinema que se fabrica na sala de montagem.




Eu não creio que a soma do trabalho na montagem seja função da brevidade dos planos. É um erro crer que os russos trabalhassem muito na montagem porque eles filmavam  planos curtos. Pode-se passar muito tempo na montagem de um filme de longos planos, porque não nos contentamos em colar uma cena na outra.






Procuro o ritmo exato entre um enquadramento e o seguinte: é uma questão de orelha. A montagem é o momento no qual o filme lida com o sentido da audição.





Entrevista de Orson Welles a André Bazin e Charles Bitsch - Cahiers du cinéma, junho 1958 (nº 84)