ir além dos limites da lógica linear, para poder exprimir a verdade e a complexidade profundas das ligações imponderáveis e dos fenômenos ocultos da vida
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
domingo, 22 de novembro de 2015
domingo, 8 de novembro de 2015
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
terça-feira, 27 de outubro de 2015
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
SESSÃO - O DELATOR - 1935 (JOHN FORD)
é incrível. porque a gente sabe que john ford sabe o que é um homem que cai da escada.
3/4 dos cinestas não sabem o que é a imaginação.
a experiência deve passar na imagem. é isso que chamamos de imaginaçãoserge daney e jean-marie straub (1987): https://vimeo.com/52293650
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
sexta-feira, 25 de setembro de 2015
SESSÃO - MAMMA ROMA - 1962 (PIER PAOLO PASOLINI)
noite iluminada, no fosso
cresce a água, uma mulher grávida
caminha pelo campo
recordo-te, narciso,
tinhas a cor da noite,
quando os sinos soavam os mortos
quinta-feira, 10 de setembro de 2015
SESSÃO - MATADOR - 1986 (PEDRO ALMODÓVAR)
o cinema projetava
e os homens
viram
que o mundo
estava lá
um mundo ainda quase sem história
mas um mundo
que conta
mas para
no lugar da incerteza
instalar a ideia e a sensação
as duas grandes histórias foram
o sexo e a morte
sexta-feira, 28 de agosto de 2015
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
SESSÃO - A HERANÇA - 1970 (OZUALDO CANDEIAS)
no eu do penso logo sou
o eu do eu sou
não é o mesmo
que o eu do eu penso
porque resta demonstrar
que há uma relação
entre o corpo e o espírito
entre pensamento e existência
quinta-feira, 23 de julho de 2015
sexta-feira, 10 de julho de 2015
SESSÃO - CUIDADO MADAME - 1970 (JÚLIO BRESSANE)
arte de viver fora de si
traduz tradição
imagem-sonora que pensa imagem-sonora natureza que se entreolha a interfolha, anarco...
cuidado na mudança de repertório e muito cuidado em viver sem viver em si
terremoto-clandestino
eu vi nossa senhora. eu vi jesus, o nosso deus
os edifícios dos apartamentos como aldeias acocoradas. além das gargantas rochosas, entre os cimentos dos edifícios, vi a favela sobre o morro e vi uma cabra lentamente subindo pelo morro. mais além estendiam-se os planaltos da ásia menor.
onze horas não têm profundidade. onze horas está cheio de onze horas até as bordas do copo verde.
não avacalha cremilda
terça-feira, 30 de junho de 2015
DE UMA, DUAS
Remerciements de Jean-Luc Godard à son prix d'honneur du cinéma suisse - Jean-Luc Godard (2015)
segunda-feira, 29 de junho de 2015
quinta-feira, 25 de junho de 2015
sexta-feira, 12 de junho de 2015
SESSÃO - EUROPA 51 - 1952 (ROBERTO ROSSELLINI)
O estado de nossa pobreza se precisa. A paisagem está cheia de arame farpado. O céu fica rubro de explosões.
Já que essa ruína não poupou a própria noção de cultura, é preciso ter a coragem de dispensá-la. É preciso se virar com pouco. Quando a casa já está em chamas, é absurdo querer salvar os móveis. Se resta uma chance a ser agarrada, é a dos vencidos.
quarta-feira, 10 de junho de 2015
RESSURREIÇÃO
De fato, mal uma pessoa morre, e já se efetua, de sua vida apenas concluída, uma rápida síntese. Caem no nada milhões de atos, expressões, sons, vozes, palavras, e apenas algumas dezenas ou centenas delas sobrevivem. Um número enorme de frases que disse em todas as manhãs, tardes e noites de sua vida caem num abismo infinito e silencioso. Mas algumas dessas frases resistem, como que por milagre, inscrevem-se na memória como epígrafes, ficam suspensas na luz de uma manhã, na doce escuridão de uma noite. A mulher e os amigos choram ao recordá-las.
Num filme, são essas frases que restam.
No filme o tempo é finito, nem que seja por uma ficção. Temos então que aceitar forçosamente a lenda. O tempo não é o da vida quando vive, mas da vida depois da morte: como tal, é real, não é uma ilusão e pode perfeitamente ser o da história de um filme.
Pier Paolo Pasolini - Empirismo eretico, Garzanti
quarta-feira, 27 de maio de 2015
SESSÃO - EU NÃO QUERO DORMIR SOZINHO - 2006 (TSAI MING-LIANG)
criar algo que se passe entre as ideias e diante do qual é preciso agir como se fosse
impossível dar-lhe um nome. e é preciso a cada instante tentar dar a ele uma
coloração, uma forma e uma intensidade que não diz jamais o que ela é. é isto a
arte de viver.
quinta-feira, 14 de maio de 2015
quarta-feira, 13 de maio de 2015
ERRANTE
Tsai Ming-Liang - Journey to the west (2014)
como estrelas, uma falha de visão, como uma lâmpada
uma ilusão mágica, gotas de orvalho, ou uma bolha
um sonho, um relâmpago, uma nuvem
assim deveríamos ver
o que é condicionado
quinta-feira, 30 de abril de 2015
SESSÃO - NUVENS PASSAGEIRAS - 1996 ( AKI KAURISMÄKI )
Nosso trabalho será mostrar como os indivíduos, reunidos em multidões no escuro, queimavam seu imaginário para aquecer seu real - era o cinema mudo. E como eles acabaram por deixar a chama se apagar ao ritmo das conquistas sociais, contentando-se em mantê-la em fogo baixo - e é o cinema falado, e é a televisão num canto de cômodo.
Jean-Luc Godard, citado por Serge Daney em Le travelling de Kapo, edição nº 4 da resista Traffic:
quinta-feira, 16 de abril de 2015
quarta-feira, 15 de abril de 2015
A COMUNICAÇÃO COMO ESTROBOSCÓPIO
A COMUNICAÇÃO
COMO ESTROBOSCÓPIO. Incurável idealismo que quer que haja um A que proponha a
um B (o público) um objeto C, que será recebido ou não, aceito ou não, não se
sabe, não se deve mesmo saber. Só há passagem de bastão (de testemunha, como no
atletismo) se, uma vez passado, A aceite que ele não lhe pertence mais. Esse
cenário ideal e, eu tenho medo disso, suficientemente místico, é o único que
torna por vezes interessante as relações de mercado (oferta-procura) porque se
trata de um produto que é também uma garrafa no mar. Somente os americanos têm
a moral dessa relação (Hawks) ou um saber técnico sobre ela (Hitchcock)
Suponhamos que
a comunicação não seja mais um ato, um gesto, um momento, mas o contrário:
“ações”, “técnicas”, um banho generalizado. Comunicamos no interior do mundo da
comunicação e não para abrir o mundo ao que ele recusa. É preciso então que
esse mundo se torne inteiramente o mundo do consumo, que ele se vista (sucesso
da palavra “vestimenta” e não “disfarce”), que ele se disponha, que ele se
encante a si mesmo. Hollywood talvez (cf. meu velho “Sobre Salador” *) tenha
produzido os prolegômenos do que vivemos hoje. Se, segundo Riegl, os europeus
“idealizaram” a natureza, os americanos hesitaram entre o “embelezamento” e a
“rivalidade”. Minnellli, por exemplo.
A esfera da
comunicação deve ser a cada dia mais infinita e fechada ao mesmo tempo. Esse
re-encantamento do mundo (para falar como Gauchet) é a condição posta a “novas
aventuras” da comunicação. A publicidade é sua técnica e sua de estética de
base. Publicidade no sentido do “tornar-se público” de toda coisa, inclusive daquelas
que, anteriormente, eram consideradas privadas, seja porque não faziam imagem,
seja porque essa imagem permanecia sagrada ou tabu. A publicidade trabalha pois na homogeneização
do mundo, na internação das diferenças (que só excitam os perversos), na
interiorização do sagrado (Gauchet) tornado (Lipovetsky) uma “gestão” pessoal
da alteridade em si mesmo e da semelhança no outro.
O exemplo do
tênis, sempre bom de pegar. O tênis é filmado cada vez melhor porque encontrou
(sem dificuldade) o meio de inscrever simultaneamente um e outro jogador. A
passagem do campo contra-campo para o split screen aboliu o momento inencontrável da troca (quando é a
bola – objeto A - que não pertence a nenhum dos dois ). Filma-se menos a
bola (é difícil) do que os dois corpos que servem de terminal. O espetáculo
daquele que lança é só um pouco mais interessante do que o daquele que recebe. Aliás,
pode-se muito bem jogar tênis sendo, como Connors, sobretudo um grande
rebatedor. Os planos intersticiais (espera, jogo de pernas, jogo de cena)
tornam-se tão interessantes quanto os planos “importantes”. Estes, graças à
câmera lenta, tornam-se aliás mais enigmáticos, mais ricos.
O que fez a
fotografia em relação à pintura? Ela abriu a possibilidade do instantâneo, quer
dizer, tornou-se sensível às “poses” que a realidade não cessa de fazer e que
se percebia mal porque não havia meios de “pará-las”. Ela inventou o “movimento
qualquer” do qual Deleuze fala. O que o cinema fez em relação à foto?
Multiplicou a foto vinte e quatro vezes por ela mesma para obter um segundo de,
movimento. Desmultiplicou os momentos quaisquer,
os interstícios, criando, ele também, um tipo de “pose” (e de beleza) que não é
exatamente o da foto ou da pintura. A “beleza” do plano é de um tipo novo. Fomos
nós que, levando a coisa mais longe (fetichismo barthesiano, “terceiro
sentido”, etc.), demos cidadania ao “fotograma”, ao mesmo tempo “carne” do
filme, inconsciente da imagem mas também, a partir de um certo momento, imagem simplesmente
(cf. os cartões postais com legendas) com, também ela, seu tipo de beleza
parada.
Vemos a
perseguição que isto ocasiona. De um lado, vertigem do infinito do “realismo”,
Bazin e o “ganho do real”, causa do desejo de ver. Vertente científica, gravação cada vez mais sofisticada, etc. Em direção ao micro
(Godard: o café de “2 ou 3 coisas”) depois em direção ao macro (Godard: o céu
de “Passion”). Foi este lado que me fez escrever em um primeiro tempo. De
outro, vertigem de um outro infinito (barroco?) onde o que era espaço
intersticial entre as coisas já vistas povoa-se, domestica-se, faz-se imagem
por sua vez. Ao invés da deriva que promete sempre mais de real ao final de um
movimento ou de uma busca, um movimento que visa vestir-para-habitar o mundo já
descoberto.
Antigamente, a
imagem era – herança sagrada – comparável a um cruzamento no qual é a
sobredeterminação de um lugar muito útil que acaba por fazê-lo existir em si (como
uma cidade). Cruzamentos-imagens, como os calvários nos caminhos campestres.
Imagem como exceção e não como regra. E
mesmo no cinema, a coexistência bizarra entre os planos (específico cinema), as
imagens (2 4 por segundo, matéria de base) e a Imagem (aquilo que permanece
idêntico através dos “planos”: a estrela, por exemplo).
Hoje – é o
papel da publicidade – a imagem não é mais a bola de tênis enquanto aquilo de que
partilham um emissor e um receptor, um sacador e um rebatedor, a imagem é o
acompanhamento dos dois jogadores ao mesmo tempo. Por que esperar da bola que
ela nos diga algo deles visto que é possível aprender sobre eles contentando-se
em observá-los ao mesmo tempo? A bola (o objeto, a obra de arte) é o pretexto,
não mais o revelador. O mesmo se dá em política: as sondagens permitem
catapultar um contra o outro o discurso emitido e a recepção medida. O discurso
(não se trata nem mais de pensamento) é aquilo que desencadeia uma série de
imagens (a sondagem é também uma imagem, uma “fotografia”, lembram os
sondadores) em todos os sentidos. Imagens muito rápido não-interpretáveis, que
não têm, aliás, mais a monumentalidade das imagens de outrora.
Politicamente,
podemos ler aí o dispositivo pelo qual os países tecnicamente aptos a esta vestimenta do mundo assinam e encerram seu recuo sobre si mesmos. Ir em
direção ao outro (desconhecido, exótico, ameaçador: o terceiro mundo, em breve
quarto) não consiste mais em arriscar a perdê-lo indo em direção a ele (para
salvar sua alma?) ou em – persistência do “documentário” – dar-lhe direito de
imagem. É assim que, após o fracasso rosselliniano, as grandes guerras do mundo
pobre (Iran-Iraque mas mesmo Líbano, Oriente Próximo, China pós-maoísta, Siques
ou Tâmeis, etc.) se desenrolam sem
nossas imagens delas mesmas. Godard (“Ici et Ailleurs”) havia resumido
impecavelmente o mal-estar que havia ao tê-los como atores gratuitos enquanto
que eles nos tinham como mediadores voluntários.
Mas, desde
então, foi o “documento” que substituiu o “documentário” e, nestes países, o
“documento” só pode ser monstruoso, sangrento, fatal. E ainda desde então, as
mídias ocidentais inventaram uma maneira ao mesmo tempo antiga e (pós) moderna
de resolver o problema. Ao invés de ir em direção ao outro (para informar,
ajudar, sustentar, compreender), permanecemos entre nós e, para aliviar todo
esse sofrimento que não mostraremos mais, organizamos shows midiáticos, em
favor deles, que consistirão em fazer a festa e a se mostrar, a si. O ódio de
si que fazia Bruckner vomitar desapareceu. Toda
a vergonha foi bebida. A imagem que falta dos outros é substituída por uma
imagem a mais de nós. Enquanto condenados a nós mesmos e à caridade como
business.
Resumamos esta
história que não se resume. A imagem como único revelador de A e de B (ex.:
pintura de ícones). A imagem como prova de verdade de A lançando uma garrafa ao
mar em direção a B (ex.: um romance de Kafka). A imagem de A e de B, cada vez
mais homogêneos e intercambiáveis, a imagem tornando-se pretexto lúdico. A
imagem de A para um B em nome da imagem ausente de C.
1988
Serge Daney – L’exercice a été profitable, Monsieur, P.O.L.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
SESSÃO - O HOMEM ERRADO - 1956 (ALFRED HITCHCOCK)
esquecemos
por que Joan Fontaine
se inclina
na beira da falésia
e o que Joel Mc Crea
foi fazer
na Holanda
esquecemos
a propósito de que
Montgomery Clift guarda
um silêncio eterno
E por que Janet Leigh
para no Bates Motel
e por que Treresa Wright
ainda está apaixonada
pelo tio Charlie
esquecemos de que Henri Fonda
não é totalmente culpado
e por que exatamente o governo
americano
escala Ingrid Bergman
mas
lembramos
de uma bolsa
mas
lembramos de um ônibus de viagem
no deserto
mas, lembramos
de um copo de leite
das hélices de um moinho
de uma escova de cabelo
mas
lembramos
de uma fileira de garrafas
de um par de óculos
de uma partitura de música
de um molho de chaves
pois com eles
Alfred Hitchcock logrou
lá onde fracassaram
Alexandre, Júlio César
Napoleão
tomar o controle
do universo
talvez
dez mil pessoas
não esqueceram
da maçã de Cézanne
mas são um milhão
de espectadores
que se lembrarão
do isqueiro
de Pacto Sinistro
e se Alfred Hitchcock
foi o único
poeta maldito
a obter sucesso
é porque ele foi
o maior
criador de formas
do século vinte
e porque são as formas
que nos dizem finalmente
o que há no fundo
das coisas
ora, o que é a arte
senão aquilo pelo qual
as formas tornam-se estilo
e o que é o estilo
senão o homem
Jean-Luc Godard - Histoire(s) du cinéma, Gallimard
sexta-feira, 20 de março de 2015
SESSÃO - SALÒ OU OS 120 DIAS DE SODOMA - 1975 (PIER PAOLO PASOLINI)
Trata-se de um encontro ao mesmo
tempo calculado e aleatório entre o corpo e a câmera, descobrindo alguma coisa,
construindo um ângulo, um volume, uma curva, seguindo um traço, uma linha,
eventualmente uma ruga. E depois, bruscamente, o corpo se des-organiza,
torna-se uma paisagem, uma caravana, uma tempestade, uma montanha de areia,
etc. É o contrário do sadismo, que recortava a unidade. O que faz a câmera de Schroeter[1],
é não detalhar o corpo para o desejo, é construir o
corpo como uma massa e fazer nascer dele
imagens que são imagens do prazer e para o prazer. No ponto de encontro sempre
imprevisto da câmera (e de seu prazer) com o corpo (e as pulsações de seu
prazer) nascem essas imagens, prazeres de múltiplas entradas.
O sadismo era anatomicamente
comportado e, se ele se enfurecia, era no interior de um manual de anatomia
bastante razoável. Não há loucura orgânica em Sade. Querer retranscrever Sade,
esta anatomia meticulosa, em imagens precisas, não funciona. Ou Sade
desaparece, ou se faz um cinema de papai.
Os nazistas eram empregadas
domésticas no mau sentido do termo. Eles trabalhavam com panos de chão e
vassouras, queriam purgar a sociedade de tudo que consideravam ser sânies,
poeira, lixo: sifilíticos, homossexuais, judeus, sangues impuros, negros,
loucos. É o sonho infecto pequeno-burguês da limpeza radical que sustentava o
sonho nazista.
Eros ausente.
Dito isto, não é impossível que,
de maneira local, tenha havido, no interior dessa estrutura, relações eróticas
que ligavam, no afrontamento, o corpo a corpo entre o carrasco e o torturado.
Mas foi acidental.
O problema que se coloca é saber
por que hoje nós imaginamos ter acesso a certos fantasmas eróticos através do
nazismo. Por que essas botas, esses capacetes, essas águias, pelas quais nos
fascinamos constantemente, e sobretudo nos Estados Unidos? Não seria a
incapacidade onde nos encontramos de viver realmente o grande encantamento do
corpo desorganizado, que nos faz nos deslocarmos para um sadismo meticuloso,
disciplinar, anatômico. O único vocabulário que possuímos para retranscrever
esse grande prazer do corpo em explosão seria essa triste fábula de um recente
apocalipse político? Não poder pensar a intensidade do presente senão como o
fim do mundo em um campo de concentração? Veja como nosso tesouro de imagens é
pobre! E como é urgente fabricar um novo ao invés de chorar com resmungos de
"alienação" e de vilipendiar o "espetáculo".
[1] Werner Schroeter, cineasta alemão (1945-2010)
Michel Foucault - Sade, sargent du sexe (Dits et écrits I) - Gallimard
sexta-feira, 13 de março de 2015
sexta-feira, 6 de março de 2015
SESSÃO - EMAK-BAKIA - 1927 (MAN RAY) + CARTA - 2013 ( SERGEI LOZNITSA)
a única espécie de curiosidade, em todo caso, que valha a pena ser praticada com um pouco de obstinação: não aquela que procure assimilar o que convém conhecer, mas aquela que permita desprender-se de si mesmo. de que valeria a obstinação do saber se ele devesse assegurar somente a aquisição de conhecimentos, e não, de um certo modo e tanto quanto possível for, o extravio daquele que conhece?
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
NO UMBIGO DO DESERTO
Na medida em que o cinema não existe senão
relativamente a outras coisas, a ciência, o petróleo, o dinheiro, podemos falar
dele indefinidamente, sem avançar em outros domínios. Pode-se conhecer bem o
cinema, sua história, suas séries, sem progredir nada em outra parte, permanecendo
nele. Com exceções raríssimas como Ordet por exemplo, que atinge por meio de um
filme os limites da fé, que mostra por meio de um filme a força esmagadora,
inabordável, da ideia de Deus.
Marguerite Duras - Les yeux verts, edição
especial da revista Cahiers du cinéma, nº 312/313, junho de 1981
CINÉMA NON
Digo que todos podem falar de cinema. O cinema está aí e fazemos cinema. Nada preexiste a ele. Na maior parte do tempo, temos vontade de fazer cinema porque sua prática não necessita de nenhum dom particular; é um pouco como dirigir um automóvel. A maioria dos livros se fazem desta maneira. Mas não os confundimos com os outros livros, aqueles feitos no desconhecimento das leis do gênero. Mas no cinema, acontece de nos enganarmos, de tomarmos os Cahiers du cinéma pela Tel Quel, de tomarmos Gritos e sussurros por um filme pornô.
Somente sozinho pode-se pensar em escrever. Em qualquer lugar. Não importa em que caso. O cinema, não. O cinema não chama. Ele não espera, como o escrito, essa precipitação no livro. Quando ninguém faz cinema, o cinema não existe, jamais existiu. Quando ninguém escreve, o escrito existe ainda, sempre existiu. Quando tudo acabar, sobre o mundo que morre, o planeta cinza, o escrito existirá por toda parte, no ar do tempo, sobre o mar.
Marguerite Duras - Les yeux verts, edição especial da revista Cahiers du cinéma, nº 312/313, junho de 1981
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
SESSÃO - A PAIXÃO DE JOANA D'ARC - 1928 (CARL TH. DREYER)
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