quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

SESSÃO - ZABRISKIE POINT - 1970 (MICHELANGELO ANTONIONI)





o sonho do estado é ser único
   o sonho do indivíduo é ser dois









acolho uma paisagem de outrora









comunidade negativa: comunidade dos que não têm comunidade











quinta-feira, 20 de novembro de 2014

SESSÃO - SALVE-SE QUEM PUDER (A VIDA) - 1979 (JEAN-LUC GODARD)








                              A - O que é essa música que se ouvia?
                              B - Qual música?
                              A - A música que se ouvia ali.
                              B - Eu não estou vendo de que música você está falando.



                              https://www.youtube.com/watch?v=Rgo37YKY3NE



quinta-feira, 13 de novembro de 2014

BRANCO SOBRE BRANCO




        A câmera não é um olho humano mais perfeito. Se se trata de um olho, é um olho não humano. É um olho-não-humano!
        O que isso quer dizer? Será que quer dizer um olho animal? Não, não quer dizer um olho, hã, animal. Hã, um olho animal é um olho animal, é um olho não humano. Será que podemos dar à ... em função da câmera, à expressão ou à ideia de um olho não humano, um sentido, um sentido real? Não pretendo, eu seria incapaz, de fazer uma história contínua do cinema. Se há alguém que por exemplo ligou a consciência cinema à posição e à invenção de um olho não humano como tal, não é do lado de Pasolini e do cinema moderno que seria preciso procurar. É do lado de Vertov. Então, que haja uma linhagem Vertov/Godard a esse respeito, é sempre possível fazer os entroncamentos que se queria. É evidente que há uma linhagem Vertov/Godard.
        Em que sentido e de que maneira a câmera efetua ou inventa um olho... que deveria chamar-se... De modo algum um olho que rivalize ou com o qual .... Sim, que representaria um aperfeiçoamento. Não se trata de ver o que o homem não chega a ver. Não é isso o Cine-Olho, não é isso. O Cine-Olho é verdadeiramente: a fabricação de um olho não humano. Mas o que é um "olho não olho"?   







Gilles Deleuze - transcrição do curso - Cinéma - Image-Mouvement (aula 6, parte 2)
http://www2.univ-paris8.fr/deleuze/article.php3?id_article=189



sexta-feira, 7 de novembro de 2014

SESSÃO - LIMITE - 1931 (MÁRIO PEIXOTO)






lembro-me ou não?




ou sonhei?




flui como um rio o que sinto




sou já quem nunca serei
na certeza em que me minto



quinta-feira, 6 de novembro de 2014

UM FLUXO



















João Guimarães Rosa - "Cara-de-bronze" in No Urubuquaquá, no Pinhém, Nova Fronteira



sexta-feira, 24 de outubro de 2014

SESSÃO - A VOZ SOLITÁRIA DO HOMEM - 1978 (ALEXANDER SOKUROV)







MONTAGEM ?




        Colocam-se três ângulos do leão, temos um leão que se levanta, por causa dos ângulos, mas não por causa da montagem, pois a montagem não diz nada sobre esse leão, não há nada a não ser o leão. Mas temos a ideia de algo que se levanta, é porque há uma pré-ideia da montagem. No primeiro filme de Nicholas Ray, They live by night[1], com Cathy O’Donnell, do qual eu coloquei regularmente dois ou três planos nas História(s)[2], vemos em um momento quatro planos em sequência sobre Cathy O’Donnell que está ajoelhada e se levanta, eles não estão de fato no eixo, mas estão na sequência, e poderíamos dizer que aí há um verdadeiro início de montagem artística. Ou como algumas vezes em Welles, o que vinha também do fato que ele fazia os filmes em uma terça de um ano quando estava em Marrakesh e depois ele fazia o contra-campo, em uma terça do outro ano quando estava em Zurique. Mas em uma simples conversa, há uma sequência de planos como em Mr. Arkadin, onde é mais visível, onde há uma espécie de ritmo que não é campo – contra-campo, que também não é decupagem, mas há um certo ritmo da conversa de repente, que é ao mesmo tempo um efeito brilhante e como que o traço do que procuravam todos esses cineastas, e que é verdadeiramente a montagem para contar histórias de outra maneira. 





[1] Título brasileiro: Amarga esperança.
[2] Histoire(s) du cinéma


      Jean-Luc Godard, Youssef Ishaghpour - Archéologie du cinéma et mémoire du siècle - dialogue, Farrago



quarta-feira, 10 de setembro de 2014

GLAUBER FELLINI





Fellini não pertence à sociedade italiana, Fellini é gato da pérsia.
Fellini é oriental.


Fellini se reflete no espelho de 8 ½.
A novidade está no fato de que pela primeira vez um cineasta se faz protagonista-psicanalista num filme, aprofundando o gênero além da projeção do Eu nos Outros personagens, reidentificação do Personagem no Eu desmascarado pela criatividade liberada.


Anita Ekberg vestida de cardeal subindinfinitamentescadas da Khatedral de São Pedro é a materialização de um desejo Felliniano de ser Mulher Sensual e Cardeal, a visão do Papa Matryarka, audácia que funda o Surrealismo Barroco, il vero... fusão do Paganismo (Anita) ao cristianismo (a roupa de Cardeal e a Khatedral) filmados em Movimentos internos/externos-Atores e Câmera em espiral transcendência.  


Soy loco por ti de amores
Tenga como colores
La espuma blanca
De Latinoamérica
Y el cielo como bandera


8 ½ é um filme de Um Homem e Meio. Pois é impossível ser de um


Guido Fellini, Marcelo maquiado como se fosse Fellini, um jovem Fellini Fausto que seja a espiritualidade de Fellini-Mefistófeles... Beatriz de Dante ou Margarida de Goethe no sorriso da virgem loura quando Finisce... La dolce vita...  


Dentro dos braços da camponesa
Guerrilheira, manequim, ai de mim



Fellini é um rejeitado, Eu Fellini não sou Anita Ekberg.


O primeiro Fellini é provinciano: o canastrão Sordi, o intelectual Interlenghi, o vigarista Crawford.
O segundo é ele mesmo, o louco Zampanô. Mas Zampanô mata o louco em La Strada.
Este louco é o Meio (1/2) que ressurge em Guido, como Calibán, o Duende de Próspero in... A Tempestade, última peça de Shakespeare.


Fellini é Fellini, Mastroianni seu meio. O meio é o ator, o Duende enquanto Deus Fellini descansa no Paraíso.
O Meio é a mensagem... a metade realizada do ser em Estétyca. 


O corpo cheio de estrelas
O corpo cheio de estrelas


Glauber Rocha - O século do cinema, Cosacnaify
Soy loco por ti, América -   Gilberto Gil, Torquato Neto e José Carlos Capinan



quinta-feira, 21 de agosto de 2014

SESSÃO - AS DUAS TORMENTAS (D. W. GRIFFITH)




excluindo os negros (e os índios)

canta o nascimento da nação branca




aventureiros legais

guerra civil do bem contra o mal




pastor protestante

profeta sem massas

gênio incompreendido

capitalista falido


Glauber Rocha - O século do cinema, Cosacnaify



sexta-feira, 15 de agosto de 2014

UMA SIMPLES VALSA






Khan Khanne - Jean-Luc Godard (2014)


aos 44 segundos do vídeo, o trecho traduzido por "já não faço parte do elenco" pode e deve ser traduzido literalmente: "já não faço parte da distribuição".



domingo, 3 de agosto de 2014

SESSÃO - O ENCOURAÇADO POTEMKIN




rolarrioanna




rolarrioanna
e passa por




nossenhora d'ohmem's
roçando a praia beirando




abahia



quinta-feira, 5 de junho de 2014

GENEALOGIA






O  que é interessante no cinema, não é nunca o símbolo. É sua fabricação. É o devir-símbolo do menor objeto. 







Como tornar-se  símbolo quando se é suco de romã ou frango sem cabeça, lençol manchado ou vela apagada? 




Ou vaso, estofo, tapete vermelho, cor, banho público, carneiro ou dança do ventre? E quanto tempo é necessário ao espectador para que desse símbolo, ele goze?





Serge Daney - Ciné journal, Volume I / 1981-1982, Cahiers du cinéma



sexta-feira, 16 de maio de 2014

DIÁLOGO




A – Procure alguém pra jogar comigo.
B – Eu não sirvo?
A – Não. É muito velho.
B – Se jogar com você, vou rejuvenescer.
A – Eu não quero rejuvenescer.
B – Por quê?
B – Diga-me por quê.
A – Eu teria vencido. Para vencer, tem que chegar a um desses quadrados. Os últimos.
B – O que apostaremos?
A – Cada um escolhe o que quer, e, no final, dizemos.
A – Eu me chamo Valentina.
B – Valentina... Sempre perde nesse jogo?
A – Eu o inventei agora. Uma vez perdi tudo.
B – Que jogo era?
A – Estabeleceremos que é preciso fazer pelo menos 7 pontos.
B – Vou ser claro. Vim aqui para falar com você.
B –Belo lance, mas sem paixão.
B – Tenho medo.
A – Vamos.
A – Esse foi com paixão demais.
B – Agora é sua vez.
B – Muito bem!
A – Ponto pra mim!
B – É minha vez, calma.
A – Sim.
B – Exagerei.
A – A pedra caiu.
B – É Mesmo? Desculpe.
B- Sinto muito. Vamos procurar, não deve ter caído longe.
B – Ela caiu aqui.
A – Pode estar no jardim.
B – Essa é boa!
A – Não importa. Era só um rubi verdadeiro.
B – Você se diverte muito sendo cínica?
A – Não.
A – Agora vocês vão ver. Vou mandar naquele quadrado.
A – Vejam!



segunda-feira, 5 de maio de 2014

CAIXA - DEVIR MULHER






- A alma tem um corpo?
- O que você está dizendo, minha filha?! O corpo é que tem uma alma.
- Pensei que fosse o contrário.








A mulher que vai te deixar louco não existe. E você também não acredita nisso.








Nós mulheres fazemos de tudo para não ficarmos sozinhas.
Nós mulheres somos mais tolerantes, mas isto é bom.
Nós somos idiotas. E um pouco lésbicas.








A questão é saber se essa criatura chamada homem alguma vez existiu. O homem lendário é uma criação da imaginação.



DEVIR MULHER

O  martírio de Joana d'Arc (Le martire de Jeanne D'Arc) - Carl Th. Dreyer, 1928. França, 96 min.

Je vous salue, Marie - Jean-Luc Godard, 1984. França, 107  min.

Gertrud - Carl Th. Dreyer, 1964. Dinamarca, 116 min.

Tudo sobre minha mãe - Pedro Almodóvar, 1999. Espanha, 101 min.




terça-feira, 29 de abril de 2014

CAIXA - REFAZER O MUNDO






Como você, tentei lutar com todas as minhas forças contra o esquecimento. Como você, eu esqueci. Por que negar a evidente necessidade da memória?




O estado de nossa pobreza se precisa. A paisagem está cheia de arame farpado. O céu fica rubro de explosões. Já que essa ruína não poupou a própria noção de cultura, é preciso ter a coragem de dispensá-la. É preciso se virar com pouco. Quando a casa já está em chamas, é absurdo querer salvar os móveis. Se resta uma chance a ser agarrada, é a dos vencidos.




Como no amor, esta ilusão existe. Esta ilusão de poder jamais esquecer.




Chegará um tempo no qual não poderemos de jeito nenhum nomear o que nos unirá. O nome se apagará aos poucos de nossa memória... Depois ele desaparecerá completamente.




O comunismo existiu uma vez. Durante dois tempos de 45minutos. No estádio de Wembley, quando o Honved de Budapeste venceu a Inglaterra, por 6 a 3. Os ingleses jogaram individualmente. Os húngaros jogaram em grupo.




Não somos turistas.



REFAZER O MUNDO

Hiroshima, mon amour - Alain Resnais, 1959. França, 90 min.

Nossa Música (Notre Musique) - Jean-Luc Godard, 2004. França, 76 min.

Limite - Mário Peixoto, 1931. Brasil, 120 min.



sexta-feira, 25 de abril de 2014

CAIXA - DESVIAR






- Eu não sei muito bem como falar se deve falar com uma mulher. Não sou muito falador.


- Quantos anos você tem?

- 23.

- Quanto tempo esteve na prisão?

- 7 anos.





- Então, diga-me o resto de seus antecedentes criminais.

- Uma vez eu mudei minha cor, mas não funcionou, então mudei de volta.

- Ouviu dizer que a força aérea mexicana está bombardeando plantações de maconha?

- Eu pergunto-me o que mais está acontecendo no mundo real ... Ouviu alguma notícia sobre a greve?

- Não muito. Eu prefiro música.





Nenhuma lei dos deuses é mais temida do que aquela que guarda a donzela escolhida. Os homens não devem tocá-la ou lançar sobre ela olhares de desejo.



     DESVIAR

     Tabu - F. W. Murnau e Robert Flaherty, 1931. Estados Unidos. 81 min..

     Zabriskie Point - Michelangelo Antonioni, 1970. Estados Unidos.113 min.

    Amarga Esperança (They live by night) - Nicholas Ray, 1948. Estados Unidos. 95 min.